Santo Agostinho foi pai

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Autor: Augusto Cezar Cornelius

Agostinho foi santo.
Agostinho foi sábio.
Filho dedicado e grande orador.
Mas às vezes esquecemos de que
Agostinho foi também pai.
Seu filho nasceu quando ele tinha 21 anos.
Agostinho foi então, um jovem pai.
Antes de Milão, do encontro com o Cristo, dos muitos e variados escritos cheios de sabedoria.
Agostinho foi um jovem pai com o coração cheio perguntas e perplexidades.
Seu filho recebeu o nome de Adeodato: dom de Deus. A mãe devia ser uma cristã já que Agostinho ainda não havia se convertido.

Agostinho foi um jovem pai em busca da Verdade, construindo uma carreira, realizando um projeto de ascensão social da própria família.

Agostinho foi um jovem pai como tantos pais, de ontem e de hoje que se debruçam
sobre o berço do seu filho, vendo-o dormir.
Se agitam angustiados pelo choro de dor ou febre, passeiam de mãos dadas, oferece o abraço que dissipa o medo do escuro.
Agostinho foi pai mas sabemos muito pouco da sua paternidade, dos seus receios, daquilo que dilatou dentro dele a partir dessa experiência.

De seu filho, dizia com orgulho que era, ainda jovem, mais inteligente que muitos. Sabemos que ele permaneceu ao seu lado e trilhou os passos do pai no batismo e na fé.

Seu filho aparece de maneira especial em uma das suas mais importantes obras: De Magistro ( “o mestre” – obra sobre ensino e aprendizagem). Nela, Agostinho trava um diálogo com seu filho, utilizando um estilo que remete a algumas obras de Platão.

Nas suas Confissões, Agostinho fala de Adeodato com admiração e carinho, especialmente no livro IX capítulo 6.
Adeodato morreu ainda adolescente, pouco tempo depois do retorno para África.

Segue-se um breve hiato na vida de Agostinho. Esse breve silêncio que diz tanto de uma dor sem igual, uma dor que sequer podemos nomear: a dor de um pai que perde o filho.

Agostinho foi santo, sábio e pai.
Eu sou não sou santo nem sábio.
Mas também sou pai. Também desejo ter o meu filho ao meu lado, que ele partilhe da minha fé e esperança. Desejo que meu filho siga a voz do seu coração, que tenha bons pensamentos, que entenda que não basta fazer coisas boas, é preciso fazê-las bem.
Desejo, como Agostinho, que meu filho cante sempre porque cantar é próprio de quem ama. Que saiba amar o próximo pois é assim que limpamos os olhos para vermos a Deus. Que na vida não se trata de ter muito mas contentar-se com o suficiente. Que permaneça acreditando e disposto de construir um mundo novo pois nada estará perdido enquanto houver vontade de lutar.

Agostinho foi santo, sábio e pai.
Quase posso vê-lo ao lado de seu filho, olhando as ondas darem nas areias da praia, dizendo ao jovem: ama e fazes o que quiseres. O Amor é a força que me move, ele me leva para lá e para cá. Ama e fazes o que quiseres. O Amor é mais íntimo de nós do que nós mesmos, sua medida é não ter medidas. Nunca se trata de se conhecer o Amor mas se deixar conhecer pelo Amor.
Talvez Agostinho abraçasse seu filho e terminasse esse momento em silêncio. Porque toda santidade e sabedoria cresce no silêncio de quem contempla a vida é a criação e sente uma profunda gratidão.

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