Viver a Páscoa com Santo Agostinho

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Frei Sérgio Sambl – Estamos na Semana Santa e quinta-feira, ainda que em muitos lugares apenas virtualmente, daremos o inicio do Tríduo Pascal com a Missa vespertina na  Ceia do Senhor. Em meados do século II, as comunidades cristãs fixaram um domingo anual para celebrar a páscoa com maior solenidade. Com o tempo, em torno da vigília se organizou o tríduo pascal: Sexta da Paixão (que se inicia nas vésperas com a memória da Ceia do Senhor), Sábado da Sepultura e Domingo da Ressurreição, com seu ponto alto na Vigília Pascal.

O Papa Emérito Bento XVI numa audiência de 12 de abril de 2006 citava Santo Agostinho “Portanto, preparemo-nos para celebrar o Tríduo pascal acolhendo a exortação de Santo Agostinho:  Considera agora atentamente os três dias santos da crucifixão, da sepultura e da ressurreição do Senhor. Destes três mistérios realizamos na vida presente aquilo de que a Cruz é símbolo, enquanto cumprimos através da fé e da esperança aquilo que a sepultura e a ressurreição simbolizam.” 

Os elementos que caracterizam a Missa da Ceia do Senhor são o Lava – pés, o Mandamento Novo e a Instituição da Eucaristia. Sendo que Agostinho mesmo apresenta o amor como “seu peso”, destacamos recorremos ao comentário que Agostinho faz sobre o Evangelho de São João para nos aprofundarmos neste novo mandamento: “Na verdade, este mandamento renova o homem que o ouve, ou melhor, que lhe obedece; não se trata, porém, do amor puramente humano, mas daquele que o Senhor quis distinguir, acrescentando: «Como Eu vos amei», (…) «para os membros terem a mesma solicitude uns para com os outros. (…) Porque eles ouvem e observam a palavra do Senhor: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros». Não como se amam os que vivem na corrupção da carne; nem como se amam os seres humanos apenas como seres humanos; mas como se amam aqueles que são «deuses» (Jo 10,35) e «filhos do Altíssimo» (Lc 6,35). Deste modo, tornam-se irmãos do Filho Unigênito de Deus, amando-se uns aos outros com aquele amor com que Ele os amou, e por Ele serão reconduzidos à plenitude final, onde os seus desejos serão completamente saciados de bens. Então nada faltará à sua felicidade, quando Deus for «tudo em todos» (1Cor 15,28).”

Este amor presente nos gestos, discursos e mandamento de Cristo se revela como entrega total e dom na cruz, portanto, após a Ceia do Senhor, entramos na sexta-feira da Paixão.  Após contemplar a Paixão de Cristo entramos na espera do Sábado Santo, e sabemos o quanto a vigília pascal é significativa para Santo Agostinho, ele mesmo no sermão 209 a chama de ”mãe de todas as vigílias”, e após sua conversão ingressa na Igreja, pelo batismo no dia , 24 de abril de 387, vigília pascal,  batizado em Milão por Santo Ambrósio.

“Nós sabemos e acreditamos com fé certíssima que Cristo morreu só uma vez por nós […]. Sabeis perfeitamente bem que tudo isto foi feito apenas uma vez e ainda assim a solenidade periodicamente o renova […]. Verdade histórica e solenidade litúrgica não estão em contradição entre si, como se a segunda fosse falácia e somente a primeira correspondesse à verdade. Do que a história afirma ter acontecido uma só vez na realidade, a solenidade renova muitas vezes a celebração nos corações dos fiéis” (Sermão 220). Que possamos caminhar com Santo Agostinho nestes dias Santos, contemplar a Paixão de Cristo e encontrar no Ressuscitado vida nova e esperança para nossa caminhada.

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