Agostinianos Recoletos
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São José, Protetor da Ordem.

| Frei Sérgio Sambl | No dia 8 de dezembro de 2020 o Papa Francisco convocou por meio da Carta “Patris Corde – Com o coração de Pai” um Ano de São José. Motivado pelos 150 anos da proclamação de São José como padroeiro Universal da Igreja Católica, em 1870, por Pio IX. Este ano se encerrará em 8 de dezembro de 2021. Durante este ano há o incentiva a contemplar o testemunho das pessoas que no viver cotidiano assumem seu protagonismo. Também é um ano enriquecido com indulgencias próprias de acordo com as orientações dadas pela Penitenciária Apostólica. 

O culto e devoção a São José, entre os agostinianos, recomenta ao século XV. O Capitulo Geral de 1491 assim determinava “Em todas as residências e conventos de nossa Ordem celebre-se o oficio de São José, cuja festa será dia 19 de março”. No Capitulo de 1669 , São José foi declarado Protetor da Ordem. Nas constituições (n.80), declaram que a devoção e o culto a São José constituem parte da espiritualidade agostiniana recoleta.

 A pessoa de São José destaca-se sobretudo como protetor da família de Nazaré. Embora possua está singular importância trata-se de uma figura silenciosa, de ação mais que palavras. Não parece ganhar muito destaque nos Evangelhos, como uma personagem secundária, mesmo em passagens significativas em que se destacam a Mãe e o Menino ( Lc 2,16.21-22.41-52). Mas embora isto ocorra, da destaque às obras realizadas no silencio e na vida cotidiano, que aos olhos de Deus tem capital relevância.  Na Carta Patris Corde o Santo Padre Papa Francisco nos diz que “São José lembra-nos que todos aqueles que estão, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, têm um protagonismo sem paralelo na história da salvação. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratidão.”

No silencio de São José, encontra-se à escuta de Deus e o discernimento de sua Vontade. Podemos ver neste silencio orante a necessidade da experiência agostiniana da Interioridade. São José, modelo para os que buscam a interioridade: “ouça primeiro aquele que fala dentro e a partir de dentro, depois fale aos que estão fora”[i] . E assim ouvir a voz de Deus-Verdade:  “A voz da verdade não cala nunca. Não grita com os lábios, mas sussurra no coração. Aplica o ouvido interior”[ii]  e não perder-se na dispersão que nos tira da presença e da vontade de Deus.

Em São José podemos ver a harmonia entre a vida contemplativa e apostólica a qual também somos chamados:  Escuta e contemplação de Deus e o serviço pelo Reino. Ao mesmo tempo que sonha os sonhos de Deus, trabalha, se desgasta e serve ao Senhor. Em seu trabalho cotidiano, muitas vezes despercebido, recorda-nos o testemunho de tantos sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas de nossas fraternidades e colaboradores que se gastam na sua doação cotidiana pelo reino de Deus. Que ele interceda por todos que lhe são devotos e se doam pelo Evangelho através do carisma agostiniano recoleto.  Que São José, protetor da Ordem, rogai por nós.


[i] Santo Agostinho. Comentário aos Salmos 139.15

[ii] Santo Agostinho. Comentários aos Salmos 57,2

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