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Religion On-line e On-line Religion: como ser místicos na era digital

| Frei Rodolfo Werneck | Diante do cenário atual da pandemia que assolou o mundo, os nossos religiosos nos diversos países onde atuamos, precisaram se reinventar. A Igreja não ficou para trás. Fomos proibidos de participar dos sacramentos presenciais passando para o mundo online. Mas, onde está verdadeiramente a nossa participação? Não seria então a segunda tela novos territórios de missão? Certamente, há muitas cenas religiosas, que ao serem lançadas ao público online, perdem seu caráter de mistério e se transforma numa de tantas cenas de consumo indiscriminado do telespectador.

O risco de banalização é enorme, assim nos alerta o teólogo João Batista Libânio: “No atual universo urbano, a religião tem se transformado muitas vezes em produto de consumo provisório, descartável, funcional, moldado segundo as exigências do freguês. Tal situação deforma radicalmente a fé cristã. A teologia vem mostrando que a fé cristã não é produto das necessidades das pessoas, nem criação projetiva de seus desejos, mas uma interpelação de Deus que pede a conversão e seguimento de Jesus no compromisso com os pobres” (LIBÂNIO, João B. As lógicas da cidade: O impacto sobre a fé e sob o impacto da fé. São Paulo: Loyola, 2001, p. 133).

            “Os programas religiosos, adaptados à rádio e televisão, criam novas relações entre os cristãos, e um enriquecimento da vida religiosa. Contribuem para a educação cristã e para o empenho da Igreja no mundo” (Communio et Progressio, 112).

Como estamos celebrando neste tempo de pandemia nas redes sociais?

É preciso que a missa midiatizada, por meio do facebook, youtube, da internet, das suas diversas plataformas não seja uma encenação do sacramento; assim como na presença física não seja uma simulação. A comunicação do mistério não pode ser produzida, ela é vivida por meio de seus instrumentos, das suas palavras, dos seus gestos e dos seus ritos. A Eucaristia é comunhão, participação e comunicação. Há graduais e distintas formas de participação, mas ainda há o desafio da comensalidade e da partilha.

Quem está em casa participa? Com a presença no remoto podemos nos indagar se devemos aprender os sinais de Deus no tempo. “O fato de vivermos numa civilização da imagem deverá impulsionar-nos a utilizar, na transmissão da mensagem evangélica, os meios modernos postos à disposição por esta civilização” (Evangelii Nuntiandi, 42).

Como manter a referência comunitária essencial no cristianismo? Com o avanço da mídia, muitos católicos deixam de se identificar com uma comunidade paroquial e assumem uma identidade globalizada que, não raras vezes, entra em conflito com a prática eclesial da comunidade local. Não podemos transformar a celebração do mistério pascal em uma pura experiência de emoção, do sentimento e da euforia.

Religion On-Line

“É fundamental informacional e hierárquica. Serve para apresentar as igrejas ou temas relacionados com a religião. É uma espécie de catálogo on-line, ou vitrine, apenas para fornecer informações e subsídios sobre a religião off-line” (ZANON, Darlei. Igreja e sociedade em rede: impactos para uma cibereclesiologia. São Paulo: Paulus, 2019, p. 48).

On-Line Religion

“É somente possível com a participação dos usuários da internet, e não um centro regulador. Toda a sua estrutura é on-line, com comunidades virtuais orientadas para a vivência e manifestação da fé. Convida os utilizadores a participarem nas práticas religiosas, através de cultos, meditações, rituais, orações, etc. Fundamenta-se principalmente no ritual on-line, na oração, no estudo bíblico e na comunhão. Recordemos que esses são elementos essenciais de uma prática religiosa, mesmo off-line” (ZANON, 2018, p. 48).

A Igreja precisa transmitir as verdades antigas (o Evangelho), com uma linguagem nova, que seja compreendida por todos e que possa garantir um papel ativo e concreto. O cristão transcende a esfera privada e penetra a esfera pública, formado por um conjunto de princípios. Vivemos o desafio de não ter apenas uma comunidade formada pelos limites geográficos, mas se cria comunhão, ou se faz comunidades religiosas virtuais ligadas por diversos interesses.

Não dá para fazer de uma vivência pessoal uma universal. O cristão na medida em que vive plenamente a sua religiosidade na sociedade em rede, ele é um nó na rede composta pela Igreja enquanto instituição.

Precisamos ter uma mística da comunhão que nos vem por meio da comunicação. Enfim, é necessário aprofundar na mística, pois senão corremos o risco de voltarmos a uma atitude pré-conciliar e de induzir as pessoas apenas a assistirem as transmissões e não se envolverem no todo. Ela é uma assembleia remota. E, mais: o risco de tornar as pessoas como pequenas ilhas – isoladas – distantes, frias, levando a uma desvinculação. Por isso, é importante a interação com os usuários mesmo que seja, no ambiente online.

E para vivermos bem a mística nas celebrações devemos buscar uma espiritualidade mais simples, mais quenótica. Uma liturgia simples, para chegarmos aos corações das pessoas. Uma espiritualidade do esvaziamento. Esvaziarmos de nós mesmos, para enchermos de Deus.

A mística envolve o ser humano como um todo, não apenas o religioso. Envolve também o seu ser político, social e cultural. A mística se percebe no cotidiano. Se vive no cotidiano. E sempre que falamos em mística, devemos recordar de Karl Rhaner: “o cristianismo do futuro será místico, ou não será de forma alguma”. Uma frase bem atual, precisamos ser místicos em nossas celebrações. Talvez redescubramos agora uma lacuna gigante, um tempo que nós perdemos nas nossas celebrações com a presença dos fiéis ou em nossas formações.

Que tipo de mística queremos ‘transmitir’? É possível transmitir uma mística? É preciso oferecer elementos para que as pessoas vivam bem o mistério. Quais os elementos precisamos transmitir? Marcus Tullius nos afirma que:

A participação física requer:

– Disposição e preparação de espírito;

– Senso de comunidade para acolher e rezar com quem está remoto;

– Não se sentir mais privilegiado só porque está na Igreja;

– Mais zelo pastoral para garantir a qualidade da celebração;

– A necessária sede e a intimidade profunda para não ser apenas um operador do rito e ser, de fato, um místico.

A participação remota requer:

                – Disposição e preparação de espírito;

            – Pertença à comunidade para se sentir com a Igreja, ser comunidade;

            – Não se sentir excluído só porque não está na Igreja;

            – Interagir sem distrair;

            – A necessária sede e a intimidade profunda para não ser apenas um receptor do rito, e ser de fato um místico.

            – A mística não é ausência de ação. Ao contrário, ela estimula a ação: quanto mais contemplativo for o fiel, mais eficaz será sua ação no seio eclesial. Assim, “as maiores possibilidades de comunicação tranduzir-se-ão em novas oportunidades de encontro e solidariedade entre todos. Como seria bom, salutar, libertador, esperançoso, se pudéssemos trilhar este caminho! Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos (FRANCISCO, Evangelii Gaudium, 87).

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