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Venezuela

A Igreja na Venezuela em tempos de pandemia

Frei Roberto Mason | Em meados do mês de março de 2020, mediante a aparição do coronavirus na Venezuela, pensando em preservar a vida deste povo já sofrido e seguindo as linhas de prevenção emanadas pela Conferência Episcopal Venezuelana, os bispos tomaram a dolorosa decisão de fechar as igrejas e suspender todo ato de culto público que implicasse a possibilidade de converter-se em foco de contágio. O primeiro dia em que as igrejas fecharam suas portas em todo o país foi a segunda-feira do dia 16 de março. E assim permaneceu a Igreja na Venezuela por 7 meses e meio.

No entanto, o fechamento das portas por quase oito meses, de meados de março a finais de outubro, isto não significou que a ação eclesial desaparecesse de nossas paróquias. Foram múltiplas as iniciativas que foram colocadas em prática com a finalidade de acompanhar nosso povo neste momento de tão particular tribulação.  Os meios de comunicação local, regional e nacional (TV, rádio, internet) utilizaram suas plataformas para que, desde e através deles, a mensagem salvadora de Jesus Cristo, da qual a Igreja é portadora, chegasse às casas e às pessoas. Especificamente, as novas tecnologias e redes sociais se converteram em oportunidades novas desde as quais se passou a proclamar a Boa Notícia e a alegria que ela transmite.

Ao longo destes quase oito meses, igualmente a ação social da Igreja esteve presente graças ao trabalho das Caritas paroquiais existentes, dos movimentos de apostolado secular e das alianças das comunidades paroquiais. Especificamente, as refeições comunitárias servidas em pratos feitos para os mais necessitados nos refeitórios de tantas paróquias se multiplicaram e não cessaram em nenhum momento de realizar seu trabalho em favor das crianças, adultos e idosos mais necessitados, para quem a difícil situação econômica os tem submetidos à mais absoluta miséria e pobreza.

Venezuela tem um esquema específico na maneira de tratar a quarentena. Depois de 2 meses e meio em quarentena radical nacional, no dia 1 de junho começou a funcionar no país o esquema chamado de 7 por 7, contemplando 7 dias seguidos quando funcionam alguns setores econômicos, a chamada “semana de flexibilização” e logo vem 7 dias de quarentena radical onde só funcionam alguns setores essenciais, a chamada “semana radical”. Tal esquema passou por alguns ajustes desde seu início e não se aplica igual em todo o país. E assim seguiu o país por alguns meses, mas com as igrejas fechadas todo o tempo porque religiosidade e espiritualidade não foram contempladas para abrirem na semana de flexibilização.

Sob o esquema 7 por 7 e por ocasião do início de uma nova semana de flexibilização, iniciada na segunda-feira 2 de novembro de 2020, se incorporaram setores adicionais do comércio, serviços, industrial, entretenimento, as igrejas e templos, em uma gama total de 50 setores econômicos, sociais, alguns deles funcionando pela primeira vez desde o início da quarentena social, como é o caso das igrejas e templos. A exceção do esquema 7 por 7 aconteceu em dezembro de 2020, quando todo o mês foi considerado de flexibilização.

Assim, as distintas religiões começaram a abrir seus templos a partir do dia 2 de novembro, finados, mas com permissão só para a semana de flexibilização. A reabertura dos templos foi resultado de um consenso com os representantes das religiões que fazem vida no país, consenso atingido depois de estarem de acordo com todas as medidas de restrição e biossegurança para serem colocadas em prática, submetido ao governo e aprovado no esquema 7 por 7. Assim, quando o país entra em quarentena radical, as igrejas permanecem com as portas fechadas.

Mas não se tratou de abrir os templos de maneira mecânica, e sim prosseguir a atividade eclesial de culto e outras atividades de forma presencial, com a participação do povo de forma ordenada, cumprindo com os protocolos de biossegurança conforma orientação da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) e a autoridade sanitária. Foram autorizadas a administração dos sacramentos e as missas, mas não reuniões de pastorais de forma presencial. A celebração das missas, a realização de batismos, primeiras comunhões, crisma, matrimônios, confissões e atendimento aos enfermos passaram a ser realizadas com todas as medidas de biossegurança, o que inclui a presença mínima de gente participando presencialmente dentro da igreja.

A aplicação das medidas de biossegurança deve ser observada de maneira rigorosa em cada comunidade paroquial e centro de evangelização. O governo superior eclesiástico da Venezuela emitiu um protocolo a ser seguido para a abertura gradual dos templos com a participação do povo, com instruções precisas sobre como preparar as igrejas, o que deve ser feito antes de iniciar a celebração das missas, recomendações para entrar nas igrejas, durante a celebração e, também o que se deve fazer depois que terminar a missa. Tudo isso será avaliado durante o primeiro trimestre de 2021.

As celebrações Eucarísticas são simples e completas, mas sim comentários iniciais, sem procissão de entrada, sem procissão das oferendas, com homilia breve e que inclua instruções de comportamento dentro das igrejas para evitar a propagação do coronavírus. Entre as medidas específicas para a missão estão: uso de máscara a todo momento, diminuição ao mínimo o número de celebrantes e auxiliares no presbitério, manter todo o tempo a distância física recomendada, limitar o número dos que tocam e cantam na celebração e sem aglomeração no coral, omissão do abraço da paz que inclua o toque físico, comunhão na mão e a promoção e explicação de medidas básicas de convivência e de prevenção da pandemia.

Na Venezuela, a igreja manteve seus templos fechados por quase oito meses, mas manteve o coração aberto todo o tempo, como é costume ser todos os dias do ano.

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