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Encontro dos Missionários da Prelazia do Marajó em Outubro de 2020

|Frei Tiago Coelho | Como todos os anos os frades missionários na Prelazia do Marajó se encontram em Belém do Pará durante o mês de outubro; o marco do encontro sempre é a Festa do padroeiro – Santo Tomás de Vilanova – que coincide com os festejos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Neste ano atípico por conta da pandemia do novo coronavírus a realidade não permitiu se encontrarem, inclusive, antes dos festejos junto com o Pe. Provincial – Frei Miguel Ángel Hernández.

“Desde inícios do último mês de fevereiro não nos reuníamos dadas as circunstâncias adversas e desfavoráveis, sobretudo, com a chegada da onda de contágios da covid-19 no arquipélago marajoara. O impacto sobre a vida dos frades do Marajó do novo coronavírus trouxe consigo a perda de nosso irmão Frei Raimundo Nonato, que partiu no dia 10 de maio. E a paróquia onde os frades se encontraram mais vulneráveis foram Sant’Ana e N.S. da Luz, respectivamente, em Breves (com 102 mil habitantes) e Portel (com 72 mil habitantes). Dos 16 municípios marajoaras são os dois maiores tanto em extensão como um número populacional. Breves, na Região Pastoral das Ilhas, no Ocidente do arquipélago, foi o epicentro de contágios, seguido por Portel. Neste último município era a comunidade na qual residia Frei Raimundo.

Passados os primeiros impactos da onda inicial da covid-19, sobre as orientações sanitárias das autoridades de saúde e da Prelazia do Marajó, junto com o povo, a passos lentos fomos retomando algumas atividades específicas e limitadas em nossas três comunidades Agostinianas do Marajó (Breves, Portel e Salvaterra). O serviço à caridade com os pobres sempre permaneceu, como na distribuição de cestas, materiais de higiene entre outros auxílios, tanto às comunidades urbanas como nas do meio rural.

Atualmente nossas três comunidades religiosas somam mais de duzentos e cinquenta Comunidades Eclesiais Missionárias (CEM), que em seu momento foram conhecidas como CEBs. As distâncias são enormes em alguns casos, como na paróquia de Portel, onde para chegar de uma ponta à outra, seguindo a geografia das CEM dispersas pelos imensos rios são necessárias mais de quarenta horas de viagem em barco. É neste contexto que, atualmente, o braço social de nossa Província já em vias de configuração como ARCORES Brasil vem assistindo a cerca de 419 famílias entre as três comunidades Agostinianas Recoletas no Marajó. A pandemia, entre outras coisas, levou a superexposição da realidade deprimida – social, política e economicamente – da região marajoara.

Diante destas circunstâncias novas, os frades e o povo, como Igreja, necessitamos nos reinventar, criar novas formas de presença, evangelização e catequese. Pouco a pouco o horizonte de esperança volta a clarear. Um sinal visível de tempos melhores podemos ver, precisamente, no encontro com nosso provincial, em poder celebrarmos nosso padroeiro um ano mais. E neste ano tão difícil, nosso coração transborda de alegria porque celebramos a ordenação sacerdotal de nosso irmão Frei Max, que hoje reside na comunidade de Salvaterra, Região Pastoral dos Campos da Prelazia (no Oriente do arquipélago marajoara).

Enquanto ao nosso encontro fraterno, o Padre Provincial nos orientou a partir de dois pontos que constituem a realidade atual de nossa Província e Ordem: o primeiro se trata da pobreza religiosa, enquanto o segundo ponto diz respeito ao acompanhamento, o deixar-se acompanhar e orientar: ‘É fundamental ir tomando consciência em toda a Província da necessidade de acompanhar e ser acompanhado’. Desde a realidade da pandemia no Marajó os frades compartilhamos nossas experiências, sem dúvidas, um momento significativo para nós foi a partida repentina de Frei Raimundo. E apesar do pânico inicial com os contágios do novo coronavírus nossas paróquias continuaram assistindo os mais necessitados.

É um tempo novo para todos nós, um momento que exige reorganização e reinvenção de nossa presença pastoral; a realidade nos pede novas formas de evangelização e catequese. O tempo de isolamento nos ajudou muito na experiência da vida fraterna em comunidade, foi necessário realmente esta parada para podermos lembrar a história dos missionários que estiveram antes de nós nestas terras e rios marajoaras. Como ressalta Frei Antônio Cândido – atual superior das missões: ”A Província na pessoa do Provincial está mais próxima de nós, os missionários. Se hoje somos três comunidades Recoletas no Marajó, o Senhor continua escrevendo sua história em nós. Que tudo seja para dar graças ao Senhor, para o bem da Ordem e de nossa Província. Não queremos nem podemos apagar a nossa história no Marajó. Somos muito gratos pelos frades que passaram pela Prelazia antes de nós. A pandemia deixou em bastante evidência o que é essencial em nossas comunidades religiosas e para o povo marajoara’.

Com este sentido e sentimento de gratidão pelo dom da vida e de nossa história como Igreja Marajoara, encerramos o encontro dos missionários junto do Pe. Provincial. A celebração de clausura do encontro, às vésperas de nosso padroeiro Santo Tomás e da ordenação de Frei Max faz transbordar de alegria nosso coração. Percebemos que pouco a pouco o Senhor volta a iluminar o nosso horizonte de sentido como missionários Recoletos no Marajó depois da onda de contágios da covid-19 que ocasionou a partida de um de nossos irmãos.”

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