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NOSSA SENHORA DA CONSOLAÇÃO – Padroeira dos Agostinianos e Protetora da Prelazia do Marajó

|Frei Thiago Coelho | Marajó | Desde os primeiros anos da Prelazia do Marajó os frades OAR encomendaram as missões nos campos e rios marajoaras sob a proteção de nossa Mãe da Consolação. A Catedral da Prelazia no município de Soure – PA, dedicada à Padroeira dos Agostinianos, em 1951, enquanto tinha Frei Alquílio como pároco – quem chegaria a ser o segundo bispo prelado – iniciou junto com a reforma da Igreja uma série de quatro “apoteoses agostinianas” na cúpula da Catedral. As pinturas desde então deixam em evidência a presença da Virgem da Consolação na missão de Marajó.

A cúpula está dividida em quatro apoteoses, todas elas referentes à vida de Santo Agostinho: A que fica acima do alta-mor representa Santo Agostinho na cena tradicional do: “Quo me vertar nescio”. O santo está vestido com vestes episcopais e, de joelhos, contempla no firmamento a imagem da Virgem da Consolação e o Crucifixo, ficando perplexo sem saber a qual se dirigir. Do peito da Virgem, vem à sua boca um jato de leite, enquanto das chagas do lado de Cristo, vem um jorro de sangue. Anjinhos sustentam seu báculo e seus livros. Outros, lá no alto, fazem a corte a Cristo e à Santíssima Virgem.

A outra apoteose, que está ao lado da epístola, representa o batismo de Santo Agostinho: Santo Ambrósio, vestido com ornamentos episcopais derrama água sobre a cabeça de Agostinho. Este, vestindo túnica preta, porém, sem capuz, recebe, com semblante arrependido, as santas águas batismais. Santa Mônica, prostrada, assiste ao ato. Vê-se o Espírito Santo, em forma de pomba, descendo sobre o santo. Anjos trazem os santos óleos e a toalha.

O quadro que está acima da mesa da comunhão, representa a transverberação: Santo Agostinho, de joelhos, vestido com o hábito recoleto, traz em sua mão direita o coração ardendo em chamas. Sobre nuvens, aparece a imagem da Consolação. As cores da túnica e manto são as mesmas que as da imagem que há no altar-mor. Sobre seu colo, está o menino Jesus que num alarde, como de inveja, traspassa com uma flecha o coração de Agostinho. Esta passagem, mostra o grande amor do Santo à Mãe da Consolação.

Finalmente, ao lado do Evangelho, temos Santo Agostinho sentado e rodeado de seus monges no momento em que lhes dava a norma de vida ou Regra: No livro aberto se lêem as primeiras palavras da mesma: “Ante omnia fratres carissimi”. Baixando da cúpula junto ao presbitério encontramos a imagem de Agostinho e Mônica prostrados ante a Virgem da Consolação, respectivamente, recebendo a correia da Virgem e do menino Jesus. Os santos agostinianos, mais que pinturas, marcam a aspiração de vida de nossos religiosos e religiosas ao longo de quase um século de Prelazia do Marajó.

MARAJÓ CELEBRA A NOSSA SENHORA DA CONSOLAÇÃO

Padroeira das Missões de Marajó

Desde que foi criada e encomendada a OAR em 1928 a Prelazia do Marajó se encontrou sob a proteção da Virgem da Consolação. Já os frades pioneiros das missões em campos e rios marajoaras rogavam a proteção desta primeira invocação mariana da família agostiniana. A sede da Prelazia, no munícipio de Soure-PA é dedicada em sua honra: Catedral de Nossa Senhora da Consolação. Nossa Senhora, distingue-se pela correia que usava e que ofereceu à mãe de Agostinho num momento de aflição no qual se encontrava. A correia se converteu assim em sinal de consolo e da presença da Virgem Maria nas horas de angústia e aflição.

Alguns historiadores e arqueólogos da região amazônica, quando tratam do Marajó costumam usar a imagem que identifica o rio Amazonas como uma grande serpente que desemboca no atlântico. O Marajó aparece na boca desta “cobra grande” (lenda própria da região) como dizem os marajoaras. Na realidade, o rio Amazonas dá a volta no arquipélago do Marajó. Precisamente esta volta ao redor das mais de 2 mil ilhas vista no mapa lembra mais bem uma correia (um cinturão), como a correia de Nossa Senhora da Consolação ao redor do arquipélago. Neste sentido, de acordo com a geografia do Marajó, resulta mais fácil imaginar esta correia do que uma serpente gigante.

Coincidindo com a geografia do Marajó na desembocadura do Amazonas no Atlântico, A devoção agostiniana a Virgem da Consolação e “da Correia” continua a navegar pelo rio do tempo e chega até nossos missionários de hoje assim como a todo o povo marajoara. Especialmente, em Soure, Salvaterra e Breves três de nossas comunidades são dedicadas a Virgem da Consolação. Em Soure, o próprio Frei Alquílio, então pároco na época, e quem chegaria a ser bispo prelado, em 1951 junto com a reforma da Igreja encomenda as quatro pinturas agostinianas na cúpula da Catedral e uma tela no altar lateral. As pinturas dão clara relevância à Virgem da Consolação.

Os frades que hoje se encontram na missão de Marajó, recebemos este legado da invocação e da transmissão da devoção dos santos da família agostiniana. É neste ambiente e espírito de gratidão que no último dia 4 de setembro, nossa comunidade de Salvaterra (Região Pastoral dos Campos, da Prelazia) celebramos a Missa da Solenidade da Virgem da Consolação. A missa foi celebrada na comunidade do bairro da Nova Colônia que a recebeu como sua Co-padroeira junto com a Virgem de Fátima. A comunidade foi criada em abril de 2010, com Frei Cleto OAR; desde então marca a presença católica entre as famílias daquele bairro. A celebração matutina foi seguida por um momento de confraternização entre as famílias de nossa comunidade.

Na tarde mesmo dia 4 na Paróquia de Sant’Ana em Breves (na Região Pastoral das Ilhas) a comunidade Nossa Senhora da Consolação, no bairro do Jardim Tropical, culminou o novenário à Virgem com uma carreata pelas ruas do bairro (A comunidade foi criada em abril de 2013, com Frei José Gabriel. No dia 30  daquele mês Dom José Luís Azcona OAR, presidiu a missa de sua fundação); o dia terminou com a celebração presencial limitada na comunidade. Em tempos de isolamento social as famílias brevenses permaneceram nas portas de suas casas a espera da passagem da santa. Realmente, um momento de consolo em nossos lares marajoaras. Precisamente, Breves foi o epicentro da pandemia do novo coravírus no Marajó. O vírus chegou com a mesma agressividade que em outras regiões do país, provavelmente a grande diferença é que a região do Marajó se encontra sob a linha da extrema pobreza, realidade que terminou por agravar a situação.

Resta-nos agradecer ao Senhor o legado à devoção dos santos agostinianos que recebemos dos frades OAR que nos precederam por estes vastos rios e campos marajoaras. Com a pandemia muitas realidades do Marajó, de por si, deprimidas, agravaram-se. A pobreza da região ficou ainda mais em evidência. É tempo de ser Igreja sanadora e consoladora, e poder celebrar a nossa Mãe da Consolação é um momento de muita paz, um refúgio consolador diante de um horizonte e perspectiva de vida, mais que em outros tempos, marcados por muitas incertezas para o povo marajoara.

Nossa Senhora da Consolação – Padroeira da OAR e das missões de Marajó – Rogai por nós.


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