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“A VOCAÇÃO É ENCONTRO COM O SENHOR”

| Frei Rhuam Ferreira Rodrigues de Almeida | A vocação nasce do encontro com o Senhor. Na relação com o Divino, acontece uma dupla caminhada: o homem que busca é buscado por Deus. Desejoso e aberto,Deus pode preencher no homem todas as suas inquietudes e anseios. O homem é, pois, vocacionado para unir-se ao seu Criador. A Constituição Pastoral Gaudium et Spes destaca que “o aspecto mais sublime da dignidade humana está na vocação à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com sua existência. Pois, se o homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser; o homem só vive plenamente, segundo a Verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador[1]. As relações humanas se dão pela experiência, pelo diálogo e pelo encontro. A história da Salvação é marcada por encontros, ora Deus com a humanidade, ora a humanidade com Deus.

Jesus “constituiu doze homens para que ficassem com Ele” (Mc 3, 13). Estar com Jesus e ser enviado parece, à primeira vista, coisas excludentes, no entanto estão claramente interligados. Somente após este período de intimidade com o Mestre é que os Apóstolos são enviados. A tarefa é anunciar o que foi experimentado: “Aquilo que vimos e ouvimos vô-lo anunciamos” (1Jo 1, 3). A proclamação nasce da pessoa que foi alcançada por Deus. Assim como a samaritana que, ao encontrar o Messias “deixou seu cântaro e correu à cidade” (Jo 4, 28), somos também impulsionados pelo Espírito a anunciar aos homens: “Vinde ver um homem que me disse tudo que fiz. Não seria ele o Cristo?” (Jo 4, 29). O anúncio do Evangelho é consequência e reflexo deste encontro. Estes encontros com Jesus são encontros salvíficos porque alcançam a pessoa inteira. Ele adentra na história individual para salvar a pessoa por completo: sua história, seus pensamentos e ações. Ao mesmo tempo, exige da pessoa uma resposta, ou melhor, uma resposta de amor.

Toda experiência com o Senhor lança-nos para fora. Daí a importância da resposta generosa e fiel. O Espírito Santo derramado no Pentecostes (cf. At 2, 1-12) marca o nascimento da Igreja e sua missão.Este evento mostrou que o Espírito Santo recebido não poderia ficar aprisionado e a mensagem precisava ser anunciada. O impulso à missão nasce, portanto, da oração e “a vocação dos discípulos é um acontecimento da oração; eles foram, por assim dizer, gerados na oração, na intimidade com o Pai”[2]. Toda vocação nasce de Deus e como tal, é amadurecida na oração. Ninguém faz experiência de Jesus Cristo sem oração que, por conseguinte, é encontro de Amor entre o amante e o Amado. O Espírito Santo “é quem atualiza o Evangelho, suscita novas formas de vida religiosa e vocacional, impulsiona as missões e governa a Igreja[3].A resposta vocacional é fruto de um amor que recebemos de Deus, “um amor que nos amou primeiro” (I Jo 4, 19), que nos seduziu e nos lançou um convite abrasador.

Por: Frei Rhuam Ferreira Rodrigues de Almeida (OAR) é Promotor Vocacional da Região Norte e reside na Paróquia São José de Queluz (Belém – PA)


[1]CONSTITUIÇÃO PASTORAL Gaudium et Spes. Sobre a Igreja no mundo atual. In: COMPÊNDIO DO VATICANO II: Constituições, Decretos, Declarações. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 1996, nº 19.

[2] BENTO XVI. Jesus de Nazaré. Primeira parte: do batismo no Jordão à transfiguração.São Paulo: Planeta do Brasil, 2007, p. 154.

[3]CONGAR, Yves. Revelação e experiência do Espírito. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 222.

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