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COVID-19: Não podemos morrer!

Um artigo que relata a realidade para resgatar a esperança

Nicolás Vigo (Fotografia de Daniel Pérez, EFE) | Por quanto tempo a sociedade pode suportar essa pandemia? Como isso pôde acontecer conosco? Por que o sofrimento? Como será a nossa vida depois do coronavírus? Essas são perguntas que nos perguntamos tentando encontrar uma explicação, ou melhor, querendo não ver o fato. E, na verdade, não queremos vê-lo.

Relutamos em aceitar as estatísticas, em olhar as cenas de morte que ocorrem no mundo, a cada minuto. Um país vence o outro na morte, como se fosse uma competição macabra: sombria. Uma guerra medieval.

Sem perceber, parece que estamos interpretando o roteiro de um filme de zumbi. Nele, os seres humanos são perseguidos por um vírus mortal que está no ar. Devemos fugir às pressas para que não chegue até nós. Temos que nos trancar em casa. Esconda-nos no porão. Devemos escapar do ar, porque se ele nos atingir: nos matará.

O ser humano, que acreditava que vivia em um mundo feliz e perfeito; de repente, percebeu que estava vivendo dentro de uma esfera de vidro quebradiça, na qual tudo o que colocara em seu mundo artificial apresentava falhas terríveis. E ele não os viu. Agora tudo é venenoso, virulento: letal. Na verdade, jogamos fazendo castelos futuristas com cartas. E de repente, aqueles castelos pós-modernos, finos e coloridos, desabaram sobre nós.

Durante a noite, o homem do século XXI acordou e se viu frente a frente com a morte. Ela estava na sua cabeça, ansioso, com pressa para lhe dar um abraço letal. De um dia para o outro, o homem pós-moderno encontrou seus piores medos. E, estes, esfregaram sua fragilidade no rosto.

O abraço e o beijo que demos um ao outro não expressam mais proximidade e carinho. Hoje a distância salva nossas vidas. Temos que desistir do outro, aqueles que amamos. Precisamos nos distanciar dos outros, porque nos tornamos perigosos. Por trás do sorriso está a suspeita. Sua proximidade pode me matar.

Se você ficar em casa, salvarás a vida. Assim fazemos. Obedecemos com prazer, mas até quando? A cadeia nunca foi terapêutica. Nosso DNA é de seres nômades: livres e selvagens. O confinamento e o banimento nos machucaram.

O mundo está parado. Fora de si mesmo. Os direitos humanos perfeitos, revolucionários, criativos e que garantem a construção social estão passando por uma paralisia angustiada que pode quebrar sua espinha. O modelo econômico, que já estava derramando petróleo, hoje parece estar chegando ao fim.

A humanidade tem uma ferida muito grande que será difícil de curar. Se sobrevivermos a essa pandemia, poderemos contar aos nossos filhos o que aconteceu nos tempos do coronavírus. E também contaremos nosso pavor e nossa desumanidade. Que Deus permita nossa sobrevivência!

Essa ferida, além disso, testará o ser humano. Isso vai nos desmistificar. Isso nos tirará da letargia monótona em que vivemos. A sociedade assistencialista parece estar entrando em colapso lentamente e com um acidente. E com isso muitos mais mitos: um por um, os falsos deuses que criamos caem.

Vendo essa experiência da morte, resistimos a morrer. “Nunca desejamos tanto a eternidade antes.” Diante dessa amarga verdade, nos protegemos da esperança e absorvemos a fé. Precisamos dela não desfalecermos. Só nos resta: a esperança e a fé.

Nós vamos morrer se quisermos. Nós precisamos viver. Nossa espécie já foi vencedora de batalhas como essa. Essa ferida da morte pode se tornar uma ferida que cura e regenera carne nova e limpa novamente.

Temos que ser heróis nesta história para não falhar: o triunfante Ulisses, o sonhador Dom Quixote, o Peter Pan da ilusão, o misericordioso Jean Valjean, o libertador Raskolnikov, o fascinante James Bond ou o vitorioso Robinson Crusoé. Eu te pergunto: não podemos morrer!

Temos que entender a mensagem. A vida pede que sejamos homens novamente. Que não jogamos para ser tiranos e palhaços. O ódio, o desprezo e a escravidão devem ser banidos. Só viveremos bem se nos aceitarmos humanos, contingentes, finitos, irmãos, filhos do mesmo Deus. Nós somos apenas homens!

Depois de chorar pelos nossos entes queridos, e secar nossas lágrimas, será a hora de reinventar a humanidade. Precisamos sonhar juntos novamente e olhar para o horizonte. Precisamos descer da arca, levantar do porão da morte e reviver. Repito: não podemos morrer! (Traduzido por Rodolfo).

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